Vamos criar um Blog?

Como criar Blogs & Flogs
Segundo recentes pesquisas são criados diariamente centenas de blogs na Web. São sites em que as pessoas podem se cadastrar e criar uma forma de um diário virtual, com os mais diversos tipos de informação. Diferente dos Blogs os Flogs transmitem informação porem com imagens.
Como exemplo temos o site do Blogger (www.blogger.com.br) e o Flogão (www.flogao.com.br) que provê o serviço de Flog. Encontramos o mesmo serviço em sites de provedores de acesso com UOL, Terra, e outros.
Abaixo segue o passo a passo de como criar um Blog, a principio basta acessar o blogger (citado como exemplo) escolher um tema, algo que você queira abordar no blog e iniciar sua rede...
Ao acessar a página será apresentado alguns exemplos para começar basta Iniciar.
Após iniciar será apresentado o Desing do Blog, onde você poderá formatar o Plano de Fundo, podendo escolher o Modelo, Layout etc...
Escolhido o tema e formatado o Desing você poderá “blogar” seus assuntos e comentar nos blogs de sua preferência.

>> O que são os "blogs" ?

Olá pessoal!
Quando se fala em redes virtuais logo lembramos do "blog" falado e comentado por muitos. Mas afinal de contas em que consiste um "blog"? Como surgiu, como funciona?
Apresento um texto de Antonio Spadaro um Jesuita especialista em Comunicação Social.
Nele o "fenômeno do blog" é mostrado de forma consistente e detalhada.





O que são os "blogs"?


Trata-se de um sistema complexo que foge a classificações por demais rígidas e vai além das tecnologias das quais se origina. O termo blog, é fruto da contração das palavras inglesas web e log: web, que significa "teia de aranha", e representa a própria Rede, e log, que significa "diário" ou também "jornal de bordo". A tradução de blog, portanto, poderia ser "diário na Rede". Trata-se de um espaço virtual, autonomamente gerenciado, que permite a publicação de uma espécie de diário pessoal ou, de um modo mais geral, de conteúdos de qualquer tipo apresentados em ordem cronológica, do mais recente ao mais antigo, conservados num arquivo que pode ser consultado a qualquer momento. Os conteúdos podem ser enriquecidos por ligações com outros blogs e com outros sites, no interior de um denso entremeado de conexões recíprocas. À medida que novos materiais são inseridos, os mais antigos vão se posicionando mais abaixo, até confluir no arquivo semanal, mensal ou anual.
De fato, exatamente como os newsgroups (murais eletrônicos de mensagens acessíveis com o programa de correio eletrônico ou com um leitor de news apropriado), os blogs são murais de mensagens; assim como os sites pessoais publicam conteúdos que estão ligados ao seu autor; da mesma forma que os portais informativos fornecem informações de todo tipo: das estritamente pessoais e autobiográficas às de caráter geral, como no caso de reportagens a partir de lugares em que a liberdade de imprensa é negada. Desde o seu início, em 1997, essa forma de expressão efetivamente revestiu-se de uma dupla função: de um lado, pôr "on line" histórias pessoais, reflexões do autor, pensamentos em forma de almanaque, para os quais a cadência cotidiana da atualização reproduz os ritmos da vida ordinária; de outro, realizar uma forma de comunicação difusa de baixo para cima, sem filtros de caráter econômico ou espacial, fornecendo informações e, sobretudo, formando opinião, em geral de forma "alternativa" em relação à da mídia mais oficial. Acrescente-se, ainda que, todo conteúdo inserido pode prever o comentário por parte dos leitores, os quais, conseqüentemente, podem interagir diretamente com quem o escreveu e com os demais leitores.
Um dos motivos pelos quais o blog se tornou em pouco tempo um verdadeiro fenômeno consiste no fato de que, para a sua criação, não é necessário nem um desembolso econômico, nem uma competência específica quanto às linguagens próprias da Rede; em geral, basta inserir os conteúdos a serem publicados em módulos (form) já predispostos nas plataformas que fornecem gratuitamente o serviço. Os procedimentos são simples: basta registrar-se, escolher um nickname, ou seja, um "apelido" de reconhecimento, e uma senha. A esta altura se deverá escolher um nome para o blog, optar entre permitir ou não aos visitadores que deixem um comentário e se este deve ser imediatamente publicado ou antes aprovado, e enfim escolher o layout, isto é, a forma gráfica do blog. Quando a pessoa se depara com um deles, percebe-se a diferença em relação a um site normal pessoal, que é mais estático. O blog muda a cada atualização, normalmente diária, e revela melhor o espírito do seu autor. Até mesmo pela gráfica essencial pode-se reconhecê-lo. O blog geralmente é constituído de três campos verticais: o central contém os posts (isto é, os materiais "postados", publicados), o da esquerda os arquivos, e o da direita os links para outros sites e blogs (o assim chamado blogroll). Definido o layout, o blogger (isto é, o autor do blog) pode inserir qualquer conteúdo textual ou de multimídia. O seu blog está pronto.
"O blog é a sua voz na web. (...) Para muitos, um blog é simplesmente um espaço no qual anotar os próprios pensamentos, enquanto outros se comunicam com um público de milhares de pessoas em todo o mundo. Os blogs são utilizados pelos jornalistas, profissionais ou amadores, para publicar as notícias de última hora, ao mesmo tempo em que, através dos diários cotidianos, é possível partilhar com os outros os pensamentos mais íntimos de cada pessoa": (1) essa é a definição que se pode ler na página de apresentação do Blogger, uma das plataformas mais conhecidas para a criação de um blog. Fica clara a fusão entre a dimensão diarística e a jornalística.
O blog, portanto, vive a meio caminho entre o jornal ou a revista e a comunicação de boca. Em relação a um jornal normal impresso, o blog se caracteriza pela presença marcante de um indivíduo e pelas suas preferências de opção e de julgamento; em relação à pura comunicação de boca, no entanto, o blog pode contar com todos os recursos da Rede (link para o site do editor, ou para outros comentários e fontes...). Da comunicação de boca o blog herdou a necessidade de envolvimento relacional na passagem da notícia, que não é mais simplesmente "transmitida" (...), mas é partilhada em um contexto de relações, muito embora se trate de relações "virtuais". A imagem da "praça" e da comunicação espontânea continua sendo uma boa imagem explicativa para o fenômeno.
Toda e qualquer comparação (com o jornal, com a comunicação de boca, com o diário...), é insuficiente: o blog pode ser cada uma delas ou todas juntas, mas também pode ser algo radicalmente "diferente". Um diário é sempre um diário, e um jornal é sempre um jornal, ao passo que o blog não prevê um estilo uniforme... O blog, a seu modo, é também uma obra narrativa, um romance epistolar, um ensaio crítico que não prevê a palavra "fim", e assim por diante. O blogger, dada a dimensão cronológica do blog, freqüentemente acaba por confiar à Rede não produtos definidos ou reflexões conclusivas, mas o diário fragmentado e desigual da própria história intelectual e muitas vezes emotiva. O blog, no fim das contas, usando uma expressão do sociólogo Clifford Geertz, é um dos blurred genres, um "gênero confuso", ou, se quisermos, mais simplesmente, um novo gênero expressivo. Não só: a presença sistemática de links (ligações) permanentes (ditos permalinks) a outros blogs faz com que quem freqüenta um deles de fato acabe freqüentando outros, que com o primeiro formam um verdadeiro sistema, comumente definido como "blogosfera", sem centro nem periferia. O blog realiza uma das formas mais completas de hipertextualidade existentes na Rede.
Eis uma das características dos blogs propriamente ditos: eles publicam post remetendo a outros blogs, isto é, fazendo aquilo que por norma não se deve fazer no jornalismo: desviar a preciosa atenção do leitor em direção a outras fontes de informação. (2) Em geral, quanto mais numerosos são os links externos e os reenvios a outros blogs, maior atenção se recebe dos leitores e da blogosfera. Tudo isso, é claro, não se realiza na leitura de um diário ou de um jornal, que tendem a concentrar a atenção somente sobre si mesmos. Digno de nota, enfim, é que, ao contrário de um livro ou de um periódico, os conteúdos de muitos blogs estão abertos à cópia gratuita, isto é, ao denominado copyleft, que é diametralmente oposto ao copyright. É prevista e respeitada a citação da fonte, mas não há limites à circulação dos textos, das histórias e das idéias.
Não obstante tenham sido escritas numerosas contribuições para a compreensão do fenômeno, não só não é possível classificar os blogs, mas nem mesmo é possível enumerá-los, devido ao seu número. Ainda assim é possível distinguir três dimensões fundamentais, sempre co-presentes e dificilmente separáveis, mas com diferentes equilíbrios e diferentes medidas de blog para blog: a dimensão emotivo-expressiva, a crítica e a informativo-jornalística . Sobre as quais falaremos no próximo mês.

A dimensão emotivo-expressiva Ter à disposição um "instrumento" tão flexível estimula muitos a desejar uma visibilidade na Rede e a conquistar (...) uma esquina na qual falar, como a célebre esquina do Hide Park em Londres, onde se espera obter atenção. Assim, nos blogs encontra-se de tudo: os distraídos adolescentes em busca de paisagens e sintonias interiores; os vaticinadores inspirados, que transcrevem aforismos; os sentimentais românticos; os minimalistas, que conservam traços de cada momento da sua existência; os "poetas malditos" de rima e métrica e os que amam a gíria moderadamente criativa das "mensagens" sms. Na Rede as identidades são flexíveis: pode-se publicar um blog sob falso nome, com um pseudônimo ou com um simples nickname. O espaço da Rede é anônimo e impessoal, cada um pode se fazer passar por aquilo que não é em termos de idade, sexo e profissão, exprimindo-se sem os limites estabelecidos pela própria identidade pública. Na internet, a pessoa se torna mensagem; dialoga-se em nome daquilo que cada um se sente ser, e do "pensamento puro", digamos assim, manifestado. Justamente por essa razão trata-se também de algo muito confidencial, pois permite dizer de si mesmo coisas que de outro modo dificilmente a pessoa diria. (...)

A dimensão crítica Os bloggers não são simplesmente uma "massa narrante". Um instrumento flexível como o blog se presta para tudo aquilo que está progredindo, evoluindo. Se os blogs seguem e acompanham como um diário a vida em seu desdobramento cotidiano com narrações e com formas variadas de narrações, é verdade que a acompanham também de modo informativo ou crítico. (...) Hoje, ..., assiste-se ao fenômeno, típico das livrarias que vendem on line, pelo qual cada livro pode ser comentado em fóruns especificamente destinados para isso, por qualquer pessoa que o tenha lido. Pode-se ler, por isso mesmo, nestes sites-livraria, amplas recensões que podem orientar o público, escritas por simples leitores que de outro modo jamais teriam suas reflexões publicadas, pois não são críticos profissionais. (...)
De qualquer forma, por detrás de um blog não há somente uma pessoa, mas um grupo de reflexão, que pretende propor materiais de modo unitário na forma de um "blog coletivo", com ou, na maioria dos casos, sem filtros redacionais. (1)

A dimensão jornalística Quando se fala de blog não se pode separar de forma clara a dimensão informativa e jornalística da dimensão expressiva e crítica. Todavia a primeira identifica uma função particular dos blogs: a de fornecer de modo original serviços de informação e documentação, que não teriam verdadeiras alternativas. (...)
No início, blogs e jornais se olharam meio desconfiados, percebendo-se reciprocamente numa competição radical ou até mesmo alternativa. ... A natureza anárquica da forma de publicação permite que sejam abatidas as normais barreiras e limitações de ingresso no mundo da comunicação de massa ..., e por isso mesmo várias vezes o fenômeno blog foi elogiado como o triunfo da comunicação horizontal, não mediata, pluralista e democrática.
Nos países onde a liberdade de expressão é limitada pipocavam os fechamentos de sites e as prisões de bloggers (...) Nos países onde há liberdade de expressão o fenômeno parece registrar uma restrição da ação da tesoura entre a informação jornalística tradicional e a dos blogs. (...) A tendência do newsmaking (fazer notícia), portanto, parece a de uma integração entre a informação produzida pelas agências, pelos grupos editoriais e pelos jornais oficiais, e a produzida pelos blogs. (...)
O benefício da livre expressão coloca de imediato o problema de um discernimento das fontes e da avaliação da credibilidade das mesmas, que se une ao fenômeno da information overload, isto é, do excesso de informação, que caracteriza a Rede desde que esta se tornou um fenômeno de massa. Por outro lado, justamente a liberdade de expressão alimenta um controle social útil exercido pelos bloggers sobre os grandes grupos midiáticos e sobre as grandes agências de informações.

Há Deus na blogosfera? Antes de concluirmos nossas reflexões perguntemo-nos se os cristãos e as comunidades eclesiais valorizaram os blogs assim como o fizeram e estão fazendo em relação à internet em geral. Deus está presente nos blogs? Se procurarmos blogs religiosos no web mundial não notaremos uma particular riqueza numérica e conteudista. (1) Não faltam, todavia, idéias estimulantes ou de qualquer modo curiosas. Uma destas é a "teoblogia" (theoblogy), (2) fruto do blogging theologically, isto é, de um "bloggar teológico". Se digitarmos o adjetivo theoblogical no site de busca Google, veremos que ele aparece em 83.000 páginas da web, (3) a tal ponto que a revista Christianity Today falou de uma verdadeira "revolução teoblógica" e de "blogosfera cristã". Esta é muito variada, e compreende espaços de reflexão e discussão teológica entre estudantes, blogs ligados a revistas cristãs (Relevant, Touchstone, World, Christianity Today...), espaços pessoais, inclusive de pastores e de sacerdotes, de inspiração religiosa. Na realidade, é digno de nota que, mais do que com uma revolução, estamos lidando com um uso mais pertinente da Rede, em plena continuidade com o uso que as Igrejas cristãs (e as religiões não cristãs) já fizeram da Rede através de sistemas mais tradicionais (sites, mailing list, newsletter, fóruns...). Mas em geral a visibilidade dos blogs de explícito significado cristão não é, de forma nenhuma, evidente e desenvolvida; esta permanece uma função a ser executada.

As perspectivas de futuro Os blogs não constituem uma revolução conceitual; eles são, substancialmente, um modo fácil para publicar on line. Realizam uma das idéias inovadoras que emergiram com o surgimento da internet, que no entanto não havia encontrado, até alguns anos atrás, uma realização tão completa. O fenômeno está em evolução, e o software irá se modificando ao longo do tempo, mas a era daquele particular personal publishing que é o blog certamente não está destinada a acabar: mudará a tecnologia, e portanto a forma, mas com certeza não a substância deste "gênero confuso" de comunicação e de expressão. Os blogs podem contribuir para reequilibrar o sistema midiático em seu conjunto, integrando os tradicionais broadcasts mídia, que simplesmente "transmitem" informações, com o sistema dos "mídia de rede", que valorizam a comunicação relacional entre os pertencentes a grupos ou "redes" de pessoas. Essa integração deveria ser positiva também para os meios de comunicação de massa tradicionais, incluindo-se jornais e televisão, os quais deverão contar com a própria qualidade, com o incremento da própria credibilidade, com a sua linha editorial e com o serviço público que conseguirão desenvolver. (4)
Poderíamos adotar como uma esperança uma definição do fenômeno blog, talvez um tanto entusiasta, que foi dada por uma recente revista especializada: "Trata-se de um jornalismo que é lugar de participação e construção de identidade, capaz, graças à interatividade e à multimidialidade, de reunir uma ou mais comunidades de interesse e de alimentar novas formas de opinião pública consciente e participante. Um jornalismo como dom, com o valor acrescido que não é, nem pode ser, só o da sugestão ou da produção de notícias, mas que deve compreender de alguma forma o aprofundamento, a reflexão e a interpretação narrativa da realidade; o valor acrescido de um ponto de vista legitimado por um relacionamento de confiança e reforçado pela partilha".

*Antonio Spadaro é um jovem jesuíta formado em Filosofia em 1988; no ano de 2000 doutorou-se em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Atualmente é professor do Centro Interdisciplinar de Comunicações Sociais (CICS) da Gregoriana e faz parte da redação da revista La Civiltà Cattolica , da qual é assíduo redator de artigos sobre novas tecnologias de comunicação, como este que aqui reproduzimos, com pequenas alterações (cf. La Civiltà Cattolica , I/2005, pp. 234-247, Quaderno 3711).